#56 Daniel T. Santos – “O que podemos aprender com o modo como pensa um Designer?”



Daniel Santos é um designer de serviços com uma carreira que já passou por várias geografias, da Índia ao Reino Unido, e a desempenhar papéis diferentes, de professor a praticante. Actualmente, é designer de serviços no LabX – Laboratório de Experimentação da Administração Pública, onde aplica metodologias do Design para tornar os serviços públicos melhores tanto para os cidadãos como para os funcionários.

A conversa, como é habitual, estendeu-se por vários terrenos. Comecei por tentar perceber o que é design. Acho que todos os leigos, como eu, tendem a associá-lo intuitivamente à estética, mas, como vamos ver, é muito mais do que isso. Falámos também de alguns exemplos de design com que nos cruzamos no dia-a-dia, como os tipos de letra que usamos para escrever um texto no computador. A letra Arial, descobri há pouco tempo, tem muito má fama entre os designers.

De seguida, discutimos alguns dos princípios do Design, como o conceito de ‘modelos mentais’, que significam essencialmente o modo como o utilizador do produto ou serviço que se está a desenhar interpreta e representa na sua mente a realidade em que vive. Ora, para um designer, é essencial conhecer o modelo mental do utilizador, porque só assim pode assegurar que vai entender e beneficiar das características que estão a ser desenhadas naquele produto. O problema – ou o desafio – associado aos modelos mentais é que estes variam muito entre pessoas, pelas experiências e backgrounds de cada um e, sobretudo, pelas culturas diferentes, quando falamos de diferentes países.

Conversámos, ainda, sobre a área de trabalho do convidado, Design de serviços, uma área muito centrada na funcionalidade e, portanto, onde este conceito de modelos mentais é essencial.

Finalmente, falámos também de outro conceito-chave do Design, este um que se tem tornado quase uma moda no mundo da gestão (e adulterado QB pelo caminho): o Design Thinking, ou “pensar como no design”. A utilidade da abordagem do design para a gestão de empresas e organizações é fácil de entender. O design, na essência, o que fAz é tentar encontrar soluções para problemas práticos. As intersecções entre isto e o objetivo de uma empresa de melhorar a proposta de valor para os clientes são fáceis de encontrar. O que é especial na abordagem do design é que, por ter que lidar com objectos e tipos de utilizadores muito variados, tem de fazer uso de trabalho colaborativo, de equipas multidisciplinares, e de ter uma grande atenção às necessidades dos utilizadores. Trazer estes métodos para dentro de uma empresa, se for bem feito, pode ser uma grande ajuda para encontrar soluções mais inovadoras.

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Ligações:

Bio: Daniel Santos, é service designer e um entusiasta da inovação centrada nas pessoas. Foi Design Lead na FutureEverything, em Manchester, no Reino Unido, onde trabalhou em projectos smart-cities e ciência colaborativa. Antes disso, viveu na Índia, cerca de 4 anos, onde leccionou design no ensino superior. Mudou-se para Lisboa para ser service designer no LabX, onde aplica metodologias de Design de Serviços para tornar os serviços públicos mais eficientes e melhorar o quotidiano dos funcionários públicos e cidadãos portugueses. Daniel é mestre em Design de Experiência Digital, pós-graduado em Gestão de Design e licenciado em Artes Digitais.

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