#72 Miguel Farias – A Ciência da Meditação


Miguel Farias é psicólogo experimental, doutorado pela Universidade de Oxford e actualmente professor na Universidade de Coventry. 

A investigação do convidado incide sobretudo na área da psicologia da crença e da espiritualidade e foi daí que resultou o livro de que é co-autor e  que serviu mote à conversa. Chama-se: , ‘The Buddha Pill’ ou, Como a Meditação Pode (ou não) Mudar a Sua Vida, e é uma análise aprofundada da ciência por trás da meditação.

O livro é uma viagem pelo que a investigação científica permite concluir em relação aos efeitos da meditação: os benefícios reais, os benefícios que parecem francamente exagerados pelos promotores da meditação e mesmo os perigos que esta prática pode trazer a quem a pratica.

A conversa foi muito livre, por isso andámos cá e lá entre vários temas: os efeitos da meditação, o enquadramento histórico, nas tradições espirituais hindus e budistas, a espiritualidade no geral e até a comparação entre a meditação e outras abordagens, como a psicoterapia ou simples técnicas de respiração. 

O que é a Meditação?

A meditação funciona basicamente usando uma determinada técnica de concentração para treinar a nossa atenção e aumentar a nossa consciência e, assim, atingir um determinado estado mental, diferente do normal. (E isto é a única coisa em comum aos vários tipos de meditação, porque quer a técnica específica quer estado que se pretende atingir variam muito.)

A meditação é praticada desde a antiguidade, e por todo o mundo, até recentemente tipicamente num contexto religioso, e normalmente enquanto como parte do caminho de desenvolvimento espiritual.

Esta meditação de origem oriental começou a chegar ao ocidente sobretudo a partir do século XIX. Já no século XX tivemos a entrada em força da Meditação Transcendental e, actualmente, é sobretudo do chamado Mindfulness que ouvimos falar (se ouviram falar de meditação nos últimos anos, foi quase de certeza desta técnica).

Este Mindfulness tem origem no Budismo mas, na maior parte das aplicações actuais, usa-se apenas a técnica de concentração, sem a interpretação espiritual. 

Nos últimos anos, esta prática vindo a ganhar adeptos muito para além a contra-cultura New Age que primeiro abraçou estas práticas. Aliás, é hoje em dia cada vez mais aplicada em contextos muito variados, como nos cuidados de saúde, no ensino e mesmo em empresas. 

Para esta entrada do Mindfulness no mainstream tem contribuído muito o facto de a investigação científica parecer validar vários dos efeitos benéficos da meditação, que vão da redução da ansiedade até mesmo ao bem estar físico. 

O livro do convidado, como já perceberam, é uma espécie de água na fervura sobre esta onda de entusiasmo. Como digo algures durante a conversa, já experimentei meditação, mas de forma muito limitada. A quantidade de gente em cuja opinião confio noutros temas e que diz que meditação melhorou muito a sua vida continua a fazer-me ter vontade de explorar melhor a meditação, mas a perspectiva a investigação do Miguel deixou-me, no mínimo, com uma visão mais matizada do tema.

 

[Artigo de opinião no Público: Oito desejos para um partido liberal em Portugal]

 

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Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego

 

Referências abordadas na conversa:

Livro do convidado (com Catherine Wikholm):

Original: The Buddha Pill

Versão PT: Como a Meditação Pode (ou não) Mudar a Sua Vida

Müller-Lyer illusion

Accents Are Forever

Tripiṭaka (Páli)

Mircea Eliade

Benny Shanon

A ilusão da mão de boracha

Timothy Leary

Livro recomendado: A Queda Do Céu, de Davi Kopenawa

Bio: Miguel Farias é um psicólogo experimental doutorado pela Universidade de Oxford. O seu livro sobre a ciência da meditação, ‘The Buddha Pill: Can Meditation Change You?’, foi traduzido em português pela Leya,  e actualmente prepara o Oxford Handbook of Meditation. Em 2017 ganhou o prémio William Bier, concedido pela Associação Americana de Psicologia, pelo seu trabalho sobre a psicologia da crença e da espiritualidade. Foi professor da Universidade de Oxford e é o diretor fundador do Laboratório ‘Cérebro, Crença e Comportamento’ na Coventry University.

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